27 Pessoas online preenchendo o Contrato de Arrendamento Rural para Gado e Pecuária agora agora
Analista Patrícia Leal
23/06/2022

Entenda o que nunca te falaram sobre o Contrato de Parceria Pecuária de Gado

Quais são as características principais? Como fazer o Contrato de Parceria Pecuária de Gado? Qual o benefício de fazer o contrato? Quem é responsável por fazê-lo? Modelo de Contrato simples e atualizado para imprimir em Word e PDF.

O que é contrato de parceria pecuária de gado

Segundo o decreto regulamentar do Estatuto da Terra e o próprio Estatuto da Terra, a parceria pecuária se caracteriza pela entrega de animais para cria, recria, engorda, mediante a partilha de riscos, de caso fortuito ou de força maior, e também mediante a partilha dos lucros, dos prejuízos nas proporções que o Estatuto da Terra estabelece, aqueles percentuais.
Nesta forma de contrato, o parceiro contratante entrega os animais na propriedade do parceiro concedente que, como primeira opção, irá empregar os animais em confinamento, fornecendo toda a infraestrutura, complementos e mão de obra.
A diferença aqui está na forma de um pelo parceiro doador, para ser qualificado como uma parceria ele deve também assumir os riscos da operação, então ele não pode se contentar em estabelecer uma taxa diária, a liquidação financeira será baseada no resultado do abate.
Para fazer o cálculo correto, os animais devem estar na entrada da propriedade , anotando o peso porque nesta parte o parceiro concedido não tem nenhum, ele terá apenas uma parte da diferença entre o peso de entrada e o peso de abate.

Requisitos do contrato de parceria pecuária

A parceria é de um estilo mais conservador , ou seja, o cliente entrega bois de contenção e possui certas arrobas pelo preço cobrado pelos matadouros para o abate.
Os riscos, neste caso , são todos do confinamento.
Através do contrato de parceria , o terreno será para exploração econômica com a participação de parceiros e riscos comerciais, a fim de compartilhar os resultados obtidos.
Como no arrendamento, a exploração do terreno será realizada por um terceiro, mas neste caso, em vez de um aluguel do terreno, ali há uma repartição dos riscos comerciais.
O parceiro outorgante permite que o parceiro outorgado explore a terra.
Nos termos do artigo 96, §1º, Estatuto da Terra:
Art. 96. Na parceria agrícola, pecuária, agroindustrial e extrativa, observar-se-ão os seguintes princípios: (...)
§ 1o  Parceria rural é o contrato agrário pelo qual uma pessoa se obriga a ceder à outra, por tempo determinado ou não, o uso específico de imóvel rural, de parte ou partes dele, incluindo, ou não, benfeitorias, outros bens e/ou facilidades, com o objetivo de nele ser exercida atividade de exploração agrícola, pecuária, agroindustrial, extrativa vegetal ou mista; e/ou lhe entrega animais para cria, recria, invernagem, engorda ou extração de matérias-primas de origem animal, mediante partilha, isolada ou cumulativamente, dos seguintes riscos:
I - caso fortuito e de força maior do empreendimento rural;
II - dos frutos, produtos ou lucros havidos nas proporções que estipularem, observados os limites percentuais estabelecidos no inciso VI do caput deste artigo;
III - variações de preço dos frutos obtidos na exploração do empreendimento rural.
O contrato de parceria tem natureza jurídica semelhante às sociedades, considerando que os parceiros agem como sócios pela divisão de lucros e riscos.

São as modalidades mais comuns do contrato de parceria:


·         Agrícola: atividade de produção vegetal;
·         Pecuária: atividades para cria, recria, invernagem ou engorda animal;
·         Extrativa: atividade extrativa de produto agrícola, animal ou florestal;
Agroindustrial: processamento de produtos agrícolas, pecuários ou florestais.

Desnaturação da parceria para criação

Uma característica muito forte do acordo de parceria é a disseminação do risco do negócio, além dos resultados.
Assim, se o poder público verificar que determinada parceria fraudulenta, por não haver alocação de risco, deve haver autuação fiscal.
Portanto, a Receita Federal deve agir, requalificando-o como aluguel.

A prefixação de remuneração não descaracteriza o contrato de parceria. Porém, é necessário o ajuste ao final do contrato nos termos no artigo 96, §3º, do Estatuto da Terra:
Art. 96. Na parceria agrícola, pecuária, agroindustrial e extrativa, observar-se-ão os seguintes princípios: (...)
§ 3o Eventual adiantamento do montante prefixado não descaracteriza o contrato de parceria.
Contrato de parceria pecuária e a utilização imóvel rural
Por meio do contrato de parceria, haverá a cessão da terra para exploração econômica com o concurso de parceiros e com os riscos do negócio, a fim de repartirem os resultados alcançados. Assim como no arrendamento, a exploração da terra será realizada por um terceiro (por um não-proprietário), mas, neste caso, em vez de um “aluguel” da terra, tem-se uma divisão dos riscos do negócio. O parceiro outorgante permite que o parceiro outorgado explore a terra, podendo fazer menção ainda que o mesmo poderá fazer uso do imóvel para residir, desde que esteja devidamente no contrato.
Por decorrência lógica, o imóvel rural que for cedido sem a finalidade principal de exploração da atividade agrária não irá caracterizar um contrato de arrendamento ou perceria rural, a exemplo de chácara cujo objetivo principal é o lazer e a recreação. Assim, a partir desse exemplo, restaria caracterizada hipótese de um contrato de locação urbana, que seria regida pela Lei de Locações.

Prazo da parceria rural

O prazo mínimo para o contrato de parceria será de 3 (três) anos, nos termos do artigo 13, II do Decreto Federal nº 59.566/1966:
 
Art. 13. Nos contratos agrários, qualquer que seja a sua forma, contarão obrigatoriamente, clausulas que assegurem a conservação dos recursos naturais e a proteção social e econômica dos arrendatários e dos parceiros-outorgados a saber; (...)
 
II - Observância das seguintes normas, visando a conservação dos recursos naturais:
 
a) prazos mínimos, na forma da alínea " b ", do inciso XI, do art. 95 e da alínea " b ", do inciso V, do art. 96 do Estatuto da Terra:
 
- de 3 (três), anos nos casos de arrendamento em que ocorra atividade de exploração de lavoura temporária e ou de pecuária de pequeno e médio porte; ou em todos os casos de parceria;
 
Com a mesma ressalva existente no âmbito do contrato de arrendamento, há uma exceção a esse prazo. É a hipótese de a colheita não ser finalizada no período previsto, quando, então, o prazo do contrato de parceria poderá ser prorrogado até a conclusão da safra, a fim de preservar a relação e os investimentos aportados. Conforme o Estatuto da Terra:
 
Art. 96. Na parceria agrícola, pecuária, agroindustrial e extrativa, observar-se-ão os seguintes princípios:
 
I - o prazo dos contratos de parceria, desde que não convencionados pelas partes, será no mínimo de três anos, assegurado ao parceiro o direito à conclusão da colheita, pendente, observada a norma constante do inciso I, do artigo 95;
 
E ainda o Decreto Federal nº 59.566/1966:
 
Art. 37. As parcerias sem prazo convencionado pelas partes, presumem-se contratadas por 3 anos.

Partilha de frutos da parceria rural

Com fundamento no artigo 96, VI do Estatuto da Terra e do artigo 35 do Decreto Federal nº 59.566/1966, a partilha de frutos ocorrerá da seguinte forma:
·         20%: caberá ao parceiro outorgante (o que detém a terra) que oferecer ao parceiro outorgado apenas o imóvel, sem qualquer preparo para a atividade;
·         25%: ao parceiro outorgante que oferecer a terra já preparada;
·         30%: caberá ao parceiro outorgante na hipótese de oferecer ao parceiro outorgado terra preparada e moradia;
·         40%: ao parceiro outorgante que oferecer a terra com um conjunto básico de benfeitorias;
·         50%: ao parceiro outorgante que oferecer ao parceiro outorgado a terra preparada, com básico de benfeitorias, máquinas e implementos agrícolas, bem como sementes e/ou animais.

Pagamento dos valores da parceria rural

As normas aplicáveis ao pagamento são omissas. Deste modo, a doutrina e a jurisprudência pacificam o entendimento de que são aplicáveis as regras do arrendamento para conversão de frutos em dinheiro (interpretação dada aos artigos 18 e 19 do Decreto Federal nº 59.566/1966):
Art. 18. O preço do arrendamento só pode ser ajustado em quantia fixa de dinheiro, mas o seu pagamento pode ser ajustado que se faça em dinheiro ou em quantidade de frutos cujo preço corrente no mercado local, nunca inferior ao preço mínimo oficial, equivalha ao do aluguel, à época da liquidação.
Parágrafo único. É vedado ajustar como preço de arrendamento quantidade fixa de frutos ou produtos, ou seu equivalente em dinheiro.
Art. 19. Nos contratos em que o pagamento do preço do arrendamento deva ser realizado em frutos ou produtos agrícolas, fica assegurado ao arrendatário o direito de pagar em moeda corrente, caso o arrendador exija que a equivalência seja calculada com base em preços inferiores aos vigentes na região, à época desse pagamento, ou fique comprovada qualquer outra modalidade de simulação ou fraude por parte do arrendador (art. 92, § 7º do Estatuto da Terra).

Direito de renovação da parceria rural

Também no contrato de parceria haverá o direito de renovação. Caberá ao parceiro outorgado, em igualdade de condições com terceiros alheios ao contrato de parceria, exercer preferência para firmar novo contrato de parceria com o parceiro outorgante.
Art. 96. Na parceria agrícola, pecuária, agroindustrial e extrativa, observar-se-ão os seguintes princípios: (...)
II - expirado o prazo, se o proprietário não quiser explorar diretamente a terra por conta própria, o parceiro em igualdade de condições com estranhos, terá preferência para firmar novo contrato de parceria;
 
Esta regra é dispensada quando houver exploração direta pelo proprietário, bem como no caso de arrendamento.

No entanto, ao contrário do contrato de arrendamento , o contrato não admite o direito de renovação compulsória.
Esta é uma omissão legal: se as partes não renovarem expressamente o contrato, a lei não prevê a renovação tácita.

Direito de preferência da parceria rural

Vimos que no arrendamento existe o direito de preferência quando o arrendador está interessado em vender o seu terreno.
O arrendatário terá preferência para adquirir o imóvel em igualdade de condições com terceiros.

Contudo, no âmbito do contrato de parceria a legislação é omissa a respeito deste aspecto.
Assim, a doutrina e a jurisprudência posicionam-se no sentido de não aplicar a lei de preferência aos contratos societários.
Segue-se o resumo da sentença através da qual o Tribunal de Justiça pacificou o processo:

STJ. REsp 264.805/MG, Rel. Ministro CESAR ASFOR ROCHA, QUARTA TURMA, julgado em 21/03/2002, DJ 17/06/2002, p. 267: CIVIL. PARCERIA AGRÍCOLA. DIREITO DE PREFERÊNCIA. O direito de preferência que se confere ao arrendatário rural não alcança o contrato de parceria. Precedentes. Recurso conhecido pelo dissídio, mas improvido.
No contrato de parceria pecuária o outorgado constituir garantia hipotecária
Sim, é possível que o contrato de parceria tenha cláusula que possibilidade a garantia hipotecária.
Contrato de parceria pecuária para recria
Recentemente a Lei nº 11.443/2007, ao acrescentar o §1º ao art. 96 do Estatuto da Terra, trouxe a seguinte definição de parceria rural:
§ 1º Parceria rural é o contrato agrário pelo qual uma pessoa se obriga a ceder à outra, por tempo determinado ou não, o uso específico de imóvel rural, de parte ou partes dele, incluindo, ou não, benfeitorias, outros bens e/ou facilidades, com o objetivo de nele ser exercida atividade de exploração agrícola, pecuária, agroindustrial, extrativa vegetal ou mista; e/ou lhe entrega animais para cria, recria, invernagem, engorda ou extração de matérias primas de origem animal, mediante partilha, isolada ou cumulativamente, dos seguintes riscos:
I - caso fortuito e de força maior do empreendimento rural;
II - dos frutos, produtos ou lucros havidos nas proporções que estipularem, observados os limites percentuais estabelecidos no inciso
III - variações de preço dos frutos obtidos na exploração do empreendimento rural.
Importante destacar que os animais podem ser de pequeno (rãs, coelhos, chinchilas, abelhas), médio (ovinos, suínos e caprinos) ou grande porte (bufalinos, bovinos, equinos).